Museus, jardins botânicos e a necropolítica da ciência moderna nas coleções da Comissão Científica do Pacífico

uma leitura da Exposición del Pacífico de 1866

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53727/rbhc.v19i1.1156

Palavras-chave:

: Comissão Científica do Pacífico, Exposición del Pacífico, colonialidade do saber, museologia crítica, Academia dos Linces, epistemicídio

Resumo

A Exposición Científica del Pacífico, inaugurada em 1866 no Real Jardim Botânico de Madrid (Espanha), funcionou como um instrumento imperial destinado a converter as amostras da Comissão Científica do Pacífico (1862–1865) em uma narrativa pública que enfatizava a preeminência científica e cultural da Espanha. Neste texto, pretendo fazer uma reflexão sobre como a exibição de plantas, animais, artefatos indígenas, fotografias e vestígios arqueológicos coletados durante a expedição foi estruturada de maneira evolutiva e hierárquica, transformando povos e ecossistemas colonizados em objetos “didáticos” para os visitantes. A exposição materializou a pedagogia imperial ao ensinar o público a "perceber" a América do Sul como uma região passível de classificação, controle e exploração, muitas vezes ignorando os saberes indígenas e descontextualizando as tradições culturais. A organização da mostra (ambientes com objetos e “curiosidades etnográficas”, herbários, animais taxidermizados e aparatos científicos) criou um trajeto educativo que validava a ciência europeia. Baseando-se metodologicamente em estudiosos como Tony Bennett (1995), Shiv Visvanathan (2014), Kapil Raj (2007; 2015), Nicholas Thomas (1991) e Podgorny & Lopes (2008), o texto examina de que modo a Exposición del Pacífico articulou necropolítica, colonialidade do saber e dispositivo visual, atuando como um regime sensorial e cognitivo no qual as mortes física (múmias, espécimes preservados) e epistêmica (silenciamento de cosmologias locais) validavam a autoridade imperial espanhola. Assim, a Exposición transformou coleções coloniais em instrumentos de formação pública e cuja crítica é fundamental para reconstruir as trajetórias desses objetos, reabrir seus significados e reimaginar práticas expositivas de caráter decolonial.

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29-07-2026

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Artigos